Brinquedo de inventar



O menino olha seu brinquedo
com olhos brilhantes e ouvidos atentos
o corpo inteiro se mistura
ao objecto inanimado que ele dá a vida
com seu corpinho desajeitado e imaturo
ajeitando sonhos e imaginando movimentos
inventando ritmos e ouvindo sons desconhecidos
bailando com seres invisíveis

Brincando com nuvens descobre os céus
inventando as cores do arco-íris
experimentando sensações
e formas diferentes de descobrir
aquilo que nem imagina existir
Jeitos de produzir um outro eu
de provocar risos e reinventar
e preservar seu próprio mundo de fantasias
Seu brincar é serio e é ali que ele se encontra
inteiro, essencial, circular
pra tudo tem um porque, pra tudo tem um sorriso
e ele tem sua própria lógica
inventada ou descoberta com louvor nos olhos

Nada interrompe seu transe
nada o desvia do seu acontecimento
o mundo está ali, aqui, agora
destrói, volta a construir,
descobre tudo outra vez
a mesma coisa milhões de vezes
e nunca igual, nada fica pra depois
tudo acontece aqui, agora
é o fim, em si mesmo

E a poesia, o meu brincar com as palavras
os ritmos, os sonhos, é ali
onde invento o meu brinquedo
onde brincam e brincaram
os Fernandos, os Manuéis, as Clarisses
Meninos que brincam com seus
brinquedos/palavras
revivendo as infâncias no aqui
no lugar do encontro de si
do encontro do outro
do encontro do seu lugar
de suas palavras
dos movimentos inventados
das melodias encandecentes
do resistir no mundo contrariado.

A arte é o brincar de gente grande
E é pra já...
Pro alto e avante!!!

Pra frente que atrás vem gente...

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