Dissolução

Difícil, quando se abre finalmente para o mundo,não querer descobri-lo por completo, dá uma inquietação, uma vontade de voar imensa, só se quer sair do lugar, ir para além dos horizontes de si mesmo, descobrir, viver, sentir cada vento, cada pingo de chuva na pele, viver todo aquele tempo perdido diante do medo, que parecia maior que o mundo e hoje parece tão pequeno, tão finito, perto de tudo que se passa a enxergar quanto ele diminui de tamanho, o medo agora se dissolve como chocolate aerado na boca, como o suor que escorre da pele em noites quentes. 
E a alma se enche de sol, sol que ilumina tudo por dentro e ofusca o medo, que antes um leão, agora uma pequena formiga sozinha sem a companhia da insegurança, nem da magoa, nem mesmo da tristeza. E esses sentimentos todos não vão embora, ficam, mas agora bem menores do que pareciam, bem menos amedrontadores, bem mais reais, pintados agora com pingos de tintas que dissolvem, pouco a pouco no papel, e dão forma a um gigantesco arco-íris que não tem mais apenas 7 cores, mas nele se compõem todas as cores do universo do meu eu.
Difícil parar agora, ficar num só momento, numa só direcção, mas difícil também não querer demorar no beijo, não querer afagar o peito, acariciar a pele que se estende sob as mãos, ali, pronta para o carinho, para o sentir das emoções latentes, pra se aninhar, sorrir e dizer: - Bom dia! 

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