Diálogo Dança


"...Um dançar sem que se veja dançar, um dançar para fora do ato visual de dançar. Um dançar anômalo. Não doentio, antes anômalo. Desregrado e não vendido. Um dançar que remova o corpo dele mesmo, que rompa com o que nele há de espaço e alcance uma vertigem nova sem esperança de sucesso que não a reorientação do possível. Sem olhos, pela salvação do tato, e pela aniquilação do tato e da visão, pela reconstrução do tato e da visão. Como é bom falar do lado de quem está perdido e, na procura, não encontra nada a não ser a própria vontade de buscar porque parar não é possível  Por isso, a dança não é movimento, nem organização do movimento, nem educação do movimento. A dança é a antipedagogia, o perder-se, o levar-se à vertigem. O imover-se. 
Eu faço tudo isso quando escrevo. Doem-me as costas, é como se eu transferisse meu corpo para o lugar de onde ele surge. É esquisito descrever assim, mas é o que é...."
Marcia Tiburi (In: Diálogo Dança. de Marcia Tiburi e Thereza Rocha) 

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